Bangkok na Tailândia

Eu já havia passado pela Europa e Américas, e depois de um período com poucas viagens eu precisava conhecer um lugar que me desafiasse, mas também desejava conhecer de perto a cultura budista, estava inquieto com o fato de seguir o Taoismo como filosofia de vida e este não ser exatamente uma religião, pelo menos na linha que eu seguia. Queria um lugar onde as pessoas fossem budistas, a religião mais popular que considero mais próxima do taoísmo.
 
Procurei por destinos que tinham alguma tradição budista, o que me levou para Ásia, Bangkok não foi a escolha, foi Myamar, mas era Bangkok o local mais perto onde voos do Brasil chegariam, e nos meus preparativos percebi que a cidade oferecia alguns atrativos interessantes, resolvi passar por lá alguns dias, embora a fama de destino turístico e o fato de ser uma metrópole me desanimavam um pouco (eu já moro em uma grande cidade, não queria atravessar metade do planeta para encontrar trânsito e confusão, mas aceitei as sugestões dos guias aqui do Brasil), não me arrependi nem um pouquinho 😃 .
 
A viagem foi tranquila, escolhi uma empresa que eu não conhecia, mas tinha uma boa reputação, além de ótimo preço, ia por um trajeto diferente de todas as outras, cruzava a África, e mesmo com as 2 escalas previstas oferecia uma viagem praticamente direta, uma troca de aeronave apenas, dormi quase o tempo todo e agradeço aos meus fones de ouvido por isso 😃   
 
A cidade como cidade não me surpreendeu não, um aeroporto gigantesco, andei quase uma hora do avião ao posto policial para verificação dos documentos, depois meu translado levou outra hora para chegar ao hotel, o caminho incluiu trânsito, muitos viadutos e muito barulho de buzina, mas como sempre cheguei ao hotel num estado de agitação bem fora do normal, mesmo o roteiro prevendo descanso para essa primeira noite, não rolou, me informei um pouco sobre onde ir, troquei dinheiro, arranjei um chip local pro celular, e pronto, tudo funcionando, cerca de 2 horas depois de ter chegado ao hotel já estava eu no trânsito novamente, agora a bordo de um TUK-TUK, novidade pra mim, um triciclo coberto, sem cinto de segurança, portas ou vidros, o motorista andava em uma velocidade que não tornava fácil se segurar no banco de traz, foi muito divertido.
 
O destino era uma rua turística, um calçadão, onde se encontrava de tudo e todo tipo de gente, muita luz nos luminosos, entretenimento para todos os gostos, de feirinhas com artesanato local a escorpiões torrados a venda no meio da rua (não, não tive coragem de comer isso), casas de tatuagem tradicional feita com bamboo, massagem e prostituição que não passavam a menor credibilidade, a maior mistura de idioma que já vi em um lugar só, a cada passo se ouvia um diferente, e eu fiquei meio extasiado no meio de tudo isso repensando o significado de cosmopolita, tudo era novo, tudo era interessante.
 
No meio da confusão encontrei brasileiros, conversei um pouco só pra me sentir em casa, 😃  e foi a última vez que falei português nessa viagem que durou 3 semanas.
 
Lembro de já passar da meia noite quando tomei outro tuk-tuk em retorno pro hotel, ainda agitado, mas agora cansado, bem cansado, dormi muito bem nessa noite.
 
Já havia contratado praticamente todo roteiro, estava receoso do idioma e dos costumes locais, como primeira viagem valeu a pena, mas como viajante acho que exagerei, numa cidade cosmopolita assim não seria complicado contratar por lá o roteiro, talvez até mais barato que paguei.
 
No meu primeiro dia completo em Bangkok fui ao palácio central, atração turística principal da cidade, esperava um belo palácio, mas encontrei muito mais que isso, encontrei um mundo encrustado no centro de uma cidade gigante!
 
De fora dos muros do palácio já se observam as diversas pontas tão características da região, já chama a atenção, na entrada já se percebe outra característica da Ásia, gente e mais gente, milhares por todo lado que olhe, mas é dentro dos muros que se percebe os detalhes, e haja detalhe, cada parede é desenhada exaustivamente, cada escultura repleta de precisão e criatividade, muita cor, muito ouro, muitos estilos misturados meio que desorganizadamente, ocupando cada espaço visível, esculturas que variam de poucos centímetros a dezenas de metros, e templos ao lado de outros templos, um caos! Mas não uma zona, nem as milhares de pessoas incomodavam, de certa forma todos se respeitam, todos tiram suas fotos e tem seus momentos de êxtase em algum ponto do palácio, tenho convicção todos saem de lá convencidos de ter conhecido um lugar especial.
 
Andamos por lá quase 8 horas, a guia se esforçou pra contar a história de cada lugar, mas eu ainda não havia me acostumado com o sotaque local e entendia apenas parte do que ela falava, alguns templos eram disputados e em outros alguns rituais sugeridos, me diverti com um pote de moedinhas comprado por alguns poucos reais pra serem distribuídas em uma centena de outros potes, com objetivo de se desapegar de algum pensamento a cada potinho, de certa forma funcionou, já no meio dos potes eu estava com dificuldade pra achar pensamentos que desejaria desapegar, e eu bem sei que tenho mais pensamentos que mereciam ser deixados por lá que a quantidade de potinhos, mas o apego é forte, forçado a pensar nesse fato o ritual me fez muito bem.
 
Nas paredes do maior templo há uma extensa pintura contando a história da Tailândia, seus mitos e conquistas, detalhada a ponto que é impossível ver tudo que ela oferece no tempo que passei lá.
 
Conforme andava entre os templos não era raro uma passagem te levar a áreas que pareciam ser construídas em outros séculos, algumas com clara influência britânica, outras com influência chinesa, estas até menos cheias 😃 
 
Vou deixar que as fotos contarem o resto por mim, talvez você possa ter um pouquinho dessa sensação de êxtase que tive durante a visita.
 
Em tempo, o templo central é realmente o ponto alto da cidade, nos dias seguintes eu fui pra lugares próximos a Bangkok, pequenas cidades turísticas num raio de 100km de lá, mas no último dia me sobrou uma tarde, aproveitei então pra fazer um passeio de barco, ver a cidade de seu rio (que tem umas 3 vezes a largura do rio Tietê, pra referência de vocês), foi bem legal, então coloquei algumas fotinhos desse passeio por aqui também.