Machu Picchu no Peru

Era madrugada quando os guias nos tiraram das camas, já sabíamos que o último dia da trilha começaria às 4 da manhã, naquele momento eu desconhecia o motivo, mas resolvi aguardar a surpresa. A caminhada foi realmente curta, pouco mais de 1 hora, por volta das 5:30 estávamos no posto de guarda já com vista pra cidade, o sol mostrava seus primeiros raios atrás de picos nevados que circundavam a cidade, que ficava ao alto, mas não tão ao alto quanto as montanhas que a circundavam, inclusive a que estávamos.

Por um momento esperamos, claro que todos estavam ansiosos para descer até a cidade, que para nós era o grande atrativo, mas o guia insistiu que ali no posto de guarda permanecêssemos mais um pouco.

Foi quando o sol venceu os picos nevados que a surpresa surgiu, os primeiros raios de sol criavam uma sombra marcante sobre a cidade, como todo belo alvorecer, mas era surpreendente a semelhança do contorno dessa sombra em relação ao contorno da cidade, a cidade em louvor ao deus sol, Machu Picchu foi projetada para aproveitar cada segundo dos raios do sol.

Quem gosta do alvorecer sabe que em poucos segundos o sol costuma tomar posse do dia, pois bem, esses poucos segundos foram os que tivemos antes de outra surpresa, mal havíamos recuperado o fôlego de ver as sobras de uma montanha se equivalerem aos contornos da cidade percebemos que, após ficar toda iluminada a sombra apresentada sobre a montanha que a seguia também acompanhava o contorno da cidade.

O momento era de tirar o fôlego, mesmo eu sendo engenheiro, jamais havia visto uma construção humana tão integrada ao movimento da natureza, e aparentemente não só eu, pois todos que haviam caminhado comigo mantinham um profundo silêncio ao ver aquela cena, no máximo que se ouvia era o “clicar” das máquinas fotográficas, e o desejo que aquele sentimento de grandiosidade não terminasse jamais.

 Quando a luz se impôs totalmente descemos para a cidade, os pontos mais disputados eram os templos, em especial o templo do sol no ponto mais alto da cidade e o templo da lua, feito em uma pedra branca que destoava de todas as demais na cidade, há uma grande praça para comemorações (e por favor sem julgamento de como essas comemorações eram feitas, especialmente julgamentos baseados no nosso conceito moderno de civilidade), na praça algumas lhamas se sentiam muito a vontade .

Podia-se observar também a precisão com que os templos foram construídos, grandes blocos de pedra assentados sem qualquer argamassa, sem qualquer espaço entre eles também, pareciam criados por tecnologias que não temos ainda nos tempos ditos  modernos, por seres talvez diferentes do que hoje chamamos humanos, mas independente das lendas e especulações lá permanecem pra nos maravilhar. 

Além dos templos haviam algumas habitações, pequenos cubículos sem quaisquer divisões internas, também se podia ver nas montanhas ao lado pequenas grutas, segundo os guias, também habitações.

Ali então se via vida, pessoas moravam, celebravam, louvavam seus deuses, produziam, uma cidade plena, construída num improvável local, mas todas as discussões do porque ali haviam se calado ao alvorecer, eu e muitos de meus colegas de trilha estávamos convencidos que o lugar era perfeito.
 

Ficamos o dia todo em Machu Picchu, quando começou a escurecer descemos a estrada (que também é incrível, em um zig-zag bem íngreme) até uma pousada em Águas Calientes, apenas uma noite, pois seguiríamos de trem de volta a custo na manhã seguinte. O roteiro havia terminado, mas eu acho que me tornei uma pessoa diferente lá, o mundo ficou mais interessante depois da trilha Inca e de conhecer Machu Picchu.