Eu vivo em Sampa há quase 20 anos, e gosto muito daqui, não cresci aqui e sim em uma cidade próxima, mas conhecia parte da cidade nas constantes visitas aos meus avós que aqui viviam, parte pequena, isso não reduziu as dúvida quando já formado me convidaram para trabalhar em São Paulo, como qualquer pessoa que não participa de um jogo e o vê de fora e inesperadamente precisa jogar também, pautado em opiniões de outros que também desconhecem a realidade, temia o desconhecido.
O começo foi de muitas descobertas, as visíveis e mais conhecidas, pude confirmar que a cidade não dormia, que o trânsito podia tirar a paz e que não importa onde fosse, muita gente estaria lá, mas eu realmente não passava muito de meu tempo livre em São Paulo, ainda apegado a outras cidades que conhecia melhor ou outras paisagens que me pareciam melhores, eu buscava em Sampa, ou em viagens, as partes que não encontrava na grande cidade, mas a vida encontra um jeito e logo me vi consumido pelos compromissos e responsabilidades e o tempo livre ficou escasso, e antes que pareça melancólico, não, isso não foi ruim, foi transformador.
Como nos diz a fama dessa cidade, aqui há de tudo, algumas coisas são aparentes, prédios monumentais e avenidas, outras sofisticadas, museus resumem a história do mundo, restaurantes permitem sabores inusitados ou reforçam culturas distantes, mas foi no que essa cidade menos é valorizada que encontrei a beleza que eu procurava, na natureza que parece tão rara por aqui que acabei me focando, e me surpreendi.
Nessa seleção que fiz de fotos eu claro mostrei um pouco de cimento, de avenidas e até muitos prédios vistos do alto de um prédio icônico no centro da cidade, pontes e construções históricas na melhor tradição londrina, e também mostrei um pouquinho de arte, dentre os muitos museus que conheci essas obras aqui fotografadas são do MIS, e estavam generosamente expostas, podia-se vê-las até das calçadas, também fotografei salões rebuscados no teatro municipal e muitas esculturas em parques ou mesmo mausoléus como o do parque da independência 😊.
Eu sei que quando se fala em parques de São Paulo, quase sempre quem não é daqui pensa no Ibirapuera, por isso não tem nenhuma foto desse parque nessa minha seleção, quero mostrar que há muito mais que isso aqui, por exemplo as belas árvores no parque da aclimação, as flores no jardim botânico, toda a imponência do Museu do Ipiranga em um dia de sol ou a florada das Cerejeiras no Parque do Carmo, uma inciativa feita por quem veio pra Sampa, e como eu, foi acolhido pela cidade.
Claro que muitos passarinhos pousaram pras fotos, eu gosto deles, acho que gostam de mim também, outras coisas inesperadas aconteceram nessas andanças, bem alinhados ao caos e diversidade da cidade, como um gaiteiro sossegadamente caminhava e tocava sua gaita de fole em um dos parques, ou uma moringa barro para água maior que muitos carros atualmente (como imaginar que sobreviveria ao tempo), uma roda de choro no mercadão onde eu pensava ter apenas boa comida, aliás foi no Mercado Municipal de São Paulo, o Mercadão que me encantei com vitrais que eu penso poucos conhecem, são fantásticos, trazem cenas do cotidiano paulista de forma encantadora, belíssimos, se somam as colunas que lá existem e permanecem sem a fama que merecem.
Tenho certeza que poderia passar muitas vidas sem sair dessa cidade e sem medo de me surpreender a cada momento, descobrindo belezas ocultas em suas vielas ou em sua história, há muitos parques ainda por visitar, e como diz a fama que a acompanha, Sampa é um mundo a parte.